domingo, 22 de agosto de 2010

Descansa, coração


O coração da gente às vezes precisa de folga. Precisa de um tempo para si mesmo, só para ver como é que é estar vazio um pouco. 
Às vezes é bom deixar ele quieto um pouco, só ali bombeando o sangue para o resto do corpo e nada mais. Sem grandes emoções, sem bater acelerado quando se escuta determinada música ou determinada voz. Sem se sentir derreter quando se recebe um abraço de algum certo alguém. Coração também precisa de férias, de descanso de tantas emoções que deixam ele arrebatado, apertado, sem ar! Precisa dormir em paz um pouco, sem se desesperar quando um sonho é grande demais para ele segurar. Ele precisa respirar aliviado, para ganhar força para o próximo amor, a próxima paixão ou para o próximo grande momento. É bom deixar ele tranquilo, sem se estressar, sem se magoar ou se perder no som de outro coração, que às vezes nem está no mesmo ritmo que ele.





By Aline


Mentiras ou Verdades ditas aqui, deixo meus pensamentos e fico com o de Voltaire: “A Mentira é um vício quando causa um mal, e é uma grande virtude quando causa o bem"..

sábado, 21 de agosto de 2010

Para quem me odeia

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro. É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim. Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado. Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos. Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco. Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando. Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor. E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for,eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.
 

By Aline 
 
Mentiras ou Verdades ditas aqui, deixo meus pensamentos e fico com o de Voltaire: “A Mentira é um vício quando causa um mal, e é uma grande virtude quando causa o bem"..


CORRER RISCOS

Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o  risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.

Somente a pessoa que corre riscos é livre!


By Aline

Mentiras ou Verdades ditas aqui, deixo meus pensamentos e fico com o de Voltaire: “A Mentira é um vício quando causa um mal, e é uma grande virtude quando causa o bem".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mentiras e Verdades

A partir daí, quando eu via um anão passando na rua, eu pensava: a Mentira tem pernas curtas, será que ali vai a Mentira? E ainda hoje, quando ocorre de esbarrar com algum pequenino, eu me repreendo para não relacionar uma à outra coisa.
- Puxa, mas urge repensar o que é
dito às crianças, afinal de contas. Quanta Mentira lhes contamos para justificar nossa ignorância?
Disseram-me que ninguém morria antes dos noventa anos, quando a pessoa já estaria tão cansada, mas tão cansada que ficaria feliz em descansar, ou seja, em morrer. Não conheço ninguém que tendo chegado aos noventa esteja cansado de viver. Outra cabeluda que me contaram foi que o amor existe e que é sublimado por forças etéreas, mágicas, tênues e francas.
Essa semana mesmo – e somente agora – fiquei ciente de que não é nada disso: o Amor é apenas uma disfunção hormonal.
- Claro! – disse-me a Verdade. - Crianças não se apaixonam loucamente, nem os idosos. Aquelas paixões arrebatadoras as temos na adolescência quando os hormônios estão pandemoniados, ou na menopausa.
Dessa maneira fiquei sabendo, inclusive, que deveria procurar um médico, pois aos 45 anos estava ainda apaixonada loucamente, como na adolescência.
- Deve ser a menopausa – Sentenciou a Verdade.
Mas cá entre nós, a Verdade sabe muito pouco sobre o Amor. A Loucura sabe mais, muito mais.
Foi a ela que perguntei:
- O meu amor não amará mais ninguém? Ele já é velho demais para amar? Por isso ele não me ama? Por isso mente para mim?
A desvairada respondeu:
- A Verdade dói. Se o seu amor mente é porque ama; se ama não é velho.
Fiquei com essa Loucura por algum Tempo, mas logo a Verdade me arrebatou novamente e marcou consulta para acalmar-me os hormônios. Já dizia Bertold Brecht que “a Verdade pensa com tua cabeça”.
- Não com a minha!!! – Gritaria a Loucura.
- Nem com a minha!!! – Também a Mentira.
Então, com a cabeça de quem pensa a Verdade? Cá com meus botões eu tenho pra mim que a Verdade só poderia pensar com a cabeça da Sabedoria - que por sua vez ama o Conhecimento, como eu amo o meu amor.Tenho pensado em quanto de Sabedoria cabe em cada pessoa. Naquele homem ali passando justamente agora, quanto de Sabedoria cabe nele? No meu amor, quanto de Sabedoria cabe no meu amor? Certamente pouca ou nenhuma, pois quem é que consegue tirar esse meu amor da porta da Loucura e levá-lo à Sabedoria em busca da Verdade?
Meu amor mente porque me ama, diz a Loucura, enquanto a Verdade garante:
- A Mentira só existe se houver um para mentir e outro para ouvir a Mentira, assim como o Amor só existe se houver um para amar e outro para ser amado.

By Aline



Mentiras ou Verdades ditas aqui, deixo meus pensamentos e fico com o de Voltaire: “A Mentira é um vício quando causa um mal, e é uma grande virtude quando causa o bem".